sábado, 12 de maio de 2012

Mais um ano de vida

Datas, rituais de passagens, coisas que foram criadas para se comemorar algo.
Hoje a sociedade comemora meu aniversário. Meu nascimento e vida.

Mensagens em redes sociais são publicadas.
O celular toca sem parar: "bom saber que existem pessoas que lembram de mim."
Familiares do outro lado do mundo resolvem dar notícias.
Mensagens em minha caixa de entrada de pessoas que há séculos não converso.
E eu me questiono...por que só lembrou de mim no meu niver?
Os demais dias do ano não são relevantes, também?

E sabe aquela pessoa que você mais espera que lembre...
Sempre vai ser a única a não lembrar!
E eu fico no conflito, "poxa...mas até quem eu não falo se  lembrou de mim..."

Entretanto, você sabe que essa pessoa que tanto queria que ligasse
Pensa em você todos os dias
Te manda mensagens e recados de bom dia
e nos 364 demais dias do ano está ao seu lado.

Então, para que dar importancia para uma única data?!
Se querer o bem do outro é algo a se fazer por toda a vida?!

Não minta.
Você gostaria que ele estivesse aqui.
"É, o abraço dele seria o melhor e mais verdadeiro."
E por que, logo ele, não veio me acolher e me sequestrar desse inferno astral??!!
Talvez ele saiba que eu mereço passar por tudo isso, rs.

Feliz aniversário!
P.S: falsidade!


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Uma estranha no ninho

Você já sentiu que não pertencia ao lugar em que estava?
Você já percebeu que tudo ao redor não lhe agradava?
Você já reparou que as pessoas não lhe traziam mais alegrias?
Você já se deparou que as coisas que fazia não combinavam mais com você?

Algumas pessoas passam mudanças tão intensas que o mundo que ela pertence deixa de ser seu mundo.
Passa a ser um mundo do outro, na qual ela é só coadjuvante.
E se não há um movimento voluntário e consciente de que quer seguir seu rumo
Essas pessoas se estagnam, paralizam, cristalizam, mumificam-se vivas!

Procurar o seu mundo, sua tribo, seu lugar, é fundamental para constituir-se em quem se é!
Eu sou o que vivo, o que sinto, o que faço.
Isso me constroi como alguém importante e único!
Mas, eu sinto, que meu lugar não é mais aqui...
Em alguma outra cidade qualquer...
Fui criada para ver o mundo...
Em breve será hora de partir,
Afinal, um momento temos que transformar os sonhos em realidade.


Uma simples sexta-feira!
P.S: transformação!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tenho que concordar não existe amor em SP

São 8 e pouquinho da manhã. Saio para cumprir meus compromissos nesta cidade.
Ao descer do prédio e atravessar a rua vejo uma pessoa vindo em minha direção:
-Vestia uma roupa que não parecia ter sido comprada para o seu tamanho, não era da cor que queria, nem do tecido mais confortável, mas aceitou usar, está frio. Caminhava a passos lentos como se não houvesse caminho certo a seguir. Empurrrava um carrinho de supermercado contendo algumas sacolas resultados de intensas buscas nos lixos domésticos. Carregava os restos de alimento, de roupas e das almas.

Ao imaginar este momento, penso que não estamos muito longe da ficção descrita no livro A Estada, de Cormac Mccarthy. Com uma diferença bem marcante: Não precisou o mundo acabar para pessoas vagarem sem rumo em busca da sobrevivência.

Mas a frente encontro um cruzamento, pessoas atravessando correndo, carros voando sobre as pessoas, respeito esquecido.
Não demoro muito chego ao metrô: Frio, escuro, ausente de alegrias e com uma multidão a minha espera. Pessoas, correm, atravessam, descem e sobem escadas, são seres impacientes e inconstantes.

Uma senhora desce as escadas, ela tem dificuldade de andar, outra senhora carrega as muletas, e a invisibilidade camufla o sofrimento de ambas.
Pessoas trombam, tropeçam, derrubam coisas e se esquecem das palavrinhas mágicas que são tão simples e essenciais: Obrigado, Com Licença e Por Favor.
O metrô chega: ATROPELAM-SE corpos, almas, desejos. Caem ao chão a dor de um coração.

Dentro do metrô total silêncio, todos os ouvidos estão atentos ao som da próxima estação; Todos os olhos estão atentos ao mapa das linhas, calculando qual seria a mais rápida e próxima de seu destino.
A ausência de sentidos ignora os senhores de idade que mal aguentam a dor dos pés e escondem o choro da criança que está sem se alimentar a dias.

Chego ao destino, mais correrias, catracas e multidões: a próxima meta pegar o Trem.
As coisas não se diferem do metrô, tudo igual, tudo idêntico, com exeção de dois jovens que conversam sobre as ultimas notícias:
-Você viu que teve mais uma morte no trem expresso?
-Não, o que aconteceu, suicidio de novo?
-Sim, uma moça brigou com o namorado e se jogou na frente, atrasou todo o percurso, eu vou chegar atrasada.

Falta de alegrias, de amor causam desapego a vida: SUICIDIOS!
Mas o importante não é a questão de se enxergar o invível, a questão está em olhar somente para o seu umbigo: "Eu estou atrasada".
Para que se importar com o outro quando o concreto não só tomou conta das ruas e avenidas como também dos corações?!

Tenho que concordar com o músico Criolo: Não existe amor em SP.

Péssima segunda-feira!
P.S: Indiferença