segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tenho que concordar não existe amor em SP

São 8 e pouquinho da manhã. Saio para cumprir meus compromissos nesta cidade.
Ao descer do prédio e atravessar a rua vejo uma pessoa vindo em minha direção:
-Vestia uma roupa que não parecia ter sido comprada para o seu tamanho, não era da cor que queria, nem do tecido mais confortável, mas aceitou usar, está frio. Caminhava a passos lentos como se não houvesse caminho certo a seguir. Empurrrava um carrinho de supermercado contendo algumas sacolas resultados de intensas buscas nos lixos domésticos. Carregava os restos de alimento, de roupas e das almas.

Ao imaginar este momento, penso que não estamos muito longe da ficção descrita no livro A Estada, de Cormac Mccarthy. Com uma diferença bem marcante: Não precisou o mundo acabar para pessoas vagarem sem rumo em busca da sobrevivência.

Mas a frente encontro um cruzamento, pessoas atravessando correndo, carros voando sobre as pessoas, respeito esquecido.
Não demoro muito chego ao metrô: Frio, escuro, ausente de alegrias e com uma multidão a minha espera. Pessoas, correm, atravessam, descem e sobem escadas, são seres impacientes e inconstantes.

Uma senhora desce as escadas, ela tem dificuldade de andar, outra senhora carrega as muletas, e a invisibilidade camufla o sofrimento de ambas.
Pessoas trombam, tropeçam, derrubam coisas e se esquecem das palavrinhas mágicas que são tão simples e essenciais: Obrigado, Com Licença e Por Favor.
O metrô chega: ATROPELAM-SE corpos, almas, desejos. Caem ao chão a dor de um coração.

Dentro do metrô total silêncio, todos os ouvidos estão atentos ao som da próxima estação; Todos os olhos estão atentos ao mapa das linhas, calculando qual seria a mais rápida e próxima de seu destino.
A ausência de sentidos ignora os senhores de idade que mal aguentam a dor dos pés e escondem o choro da criança que está sem se alimentar a dias.

Chego ao destino, mais correrias, catracas e multidões: a próxima meta pegar o Trem.
As coisas não se diferem do metrô, tudo igual, tudo idêntico, com exeção de dois jovens que conversam sobre as ultimas notícias:
-Você viu que teve mais uma morte no trem expresso?
-Não, o que aconteceu, suicidio de novo?
-Sim, uma moça brigou com o namorado e se jogou na frente, atrasou todo o percurso, eu vou chegar atrasada.

Falta de alegrias, de amor causam desapego a vida: SUICIDIOS!
Mas o importante não é a questão de se enxergar o invível, a questão está em olhar somente para o seu umbigo: "Eu estou atrasada".
Para que se importar com o outro quando o concreto não só tomou conta das ruas e avenidas como também dos corações?!

Tenho que concordar com o músico Criolo: Não existe amor em SP.

Péssima segunda-feira!
P.S: Indiferença



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